domingo, 15 de fevereiro de 2009

Insulina pode ajudar a combater mal de Alzheimer

WASHINGTON - A insulina, além de ser crucial para combater a diabete, poderia frear ou reduzir a perda de memória típica do mal de Alzheimer, revelou um estudo divulgado nesta segunda-feira, 2, pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences.



Um grupo de cientistas da Universidade Northwestern, de Chicago, que realizou o estudo acrescentou que este também demonstraria que o Alzheimer seria uma terceira forma de diabete.



O Alzheimer é uma doença neurológica, progressiva e incurável que afeta principalmente os maiores de 65 anos. Ela se manifesta através da perda de memória e, depois, pela demência.



Em uma análise de neurônios extraídos do hipocampo (o principal centro da memória no cérebro), os cientistas trataram essas células com insulina e o remédio rosiglitazone, utilizado no tratamento da diabete tipo 2.



Os cientistas descobriram que a insulina prevenia as lesões em neurônios expostos às proteínas tóxicas do Alzheimer (ADDLS), ao impedir que aderissem às células. Também descobriram que a proteção proporcionada pela insulina aumentava quando se somava o rosiglitazone.



Até agora, sabia-se que os ADDLS atacavam as sinapses, ao aderir aos neurônios. Quando se consuma esse processo, os neurônios perdem a capacidade de responder à informação que recebem, o que dá como resultado a perda de memória.



Segundo os pesquisadores, o mecanismo de proteção da insulina ocorre em uma série de períodos que reduzem a aderência das ADDLS às sinapses.



"O tratamento terapêutico que aumentar a sensibilidade à insulina no cérebro poderia oferecer novas formas de combater o Alzheimer", disse William Klein, pesquisador do Centro do Alzheimer e Neurologia do Conhecimento em Northwestern.



"A sensibilidade à insulina pode diminuir com a idade, o que apresenta um novo fator de risco para o mal de Alzheimer. Os resultados demonstram que, ao aumentar a insulina, seria possível proteger os neurônios de uma lesão", ressaltou.



Sergio Ferreira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que a descoberta de que os medicamentos contra a diabetes protegem as sinapses oferece uma esperança de luta contra a perda da memória no mal de Alzheimer.



Ferreira acrescentou que, se for considerado que o Alzheimer é uma espécie de diabetes cerebral, "abre-se o caminho para novas descobertas cujo resultado final poderiam ser tratamentos modificados para a devastadora doença".


Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,insulina-pode-ajudar-a-combater-mal-de-alzheimer,317179,0.htm

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Estratégia do Viagra é usada contra Alzheimer

(11/01/2006 - 16:52)

Roberta Jansen

O mesmo princípio do Viagra, a pílula contra a impotência masculina, está sendo pesquisado no mundo todo para o desenvolvimento de drogas contra os mais diversos males, do Alzheimer à incontinência urinária. Pelo menos 15 novos medicamentos baseados no papel desempenhado pelo gás óxido nítrico no organismo humano já estão em fase de teste clínico e devem chegar ao mercado dentro de, no máximo, cinco anos, conforme foi revelado ontem no Simpósio Internacional sobre Óxido Nítrico, organizado pela Fiocruz, no Rio.

- Dois tipos de drogas estão sendo desenvolvidos: as doadoras de óxido nítrico e as que estimulam a produção de óxido nítrico no corpo - revelou o cientista americano Louis Ignarro, ganhador do prêmio Nobel de Medicina de 1998 por suas descobertas relacionadas à ação do óxido nítrico no organismo. - Estão sendo testados medicamentos contra mal de Alzheimer, úlcera, hipertensão, incontinência urinária, entre outros.

Produzido em diversos tecidos do corpo, o óxido nítrico teria funções múltiplas, segundo Ignarro. A principal delas seria a vasodilatadora, que estimula o fluxo sangüíneo e, por isso, seria importante na prevenção de hipertensão, derrames e arteriosclerose.

- Sabemos hoje que os pacientes com mal de Alzheimer apresentam deficiência de óxido nítrico em algumas partes do cérebro - explicou.

Segundo Ignarro, o óxido tem uma função protetora do organismo: suas características antioxidantes preveniriam inflamações. Alguns estudos já sugerem que o óxido seria importante também na prevenção do câncer.

O Globo

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Nova pílula ajuda a melhorar a memória

19 de janeiro de 2009 • 15h56 • atualizado em 19 de janeiro de 2009 às 15h56

* Notícias

Uma pílula que ajuda a reativar a memória pode ser disponibilizada em breve no mercado. A "pílula da memória", como foi batizada, está em fase de testes e, entre os benefícios, seria a solução para quem se esquece com facilidade das coisas. As informações são do jornal britânico Telegraph.

O medicamento teria a capacidade de ajudar a evitar que as pessoas se esqueçam de datas, compromissos e informações importantes e foi originalmente criado para tratar do Mal de Alzheimer. A nova droga seria adaptada e licenciada para venda numa versão mais fraca que a utilizada por pacientes com Alzheimer.

A pílula está sendo desenvolvida por uma multinacional em colaboração com a AstraZeneca Targacept, empresa americana do setor farmacêutico, enquanto a Epix Pharmaceuticals, outra companhia dos Estados Unidos, está desenvolvendo medicamento similar. As drágeas teriam "efeitos cognitivos de reforço" específicos para tratar de pacientes com perda de memória.

Steven Ferris, neurologista e ex-membro da Food and Drugs Administration (FDA), agência americana reguladora do setor de alimentos e medicamentos, prevê que a versão mais suave da pílula esteja disponível para os consumidores em breve.

"Minha opinião é que já seria possível que ela fosse aprovada já, pois a droga mostrou-se eficaz e segura", disse Ferris, que fez os primeiros testes em pacientes da Inglaterra.
Redação Terra

domingo, 11 de janeiro de 2009

Pacientes de Alzheimer vivem menos com antipsicóticos

Saúde
Quinta, 8 de janeiro de 2009, 11h30


Os pacientes de Alzheimer que recebem antipsicóticos - também conhecidos como neurolépticos - apresentam maiores índices de mortalidade entre dois e três anos depois do tratamento, segundo um estudo publicado pela revista The Lancet.

Os resultados do estudo do médico Clive Ballard, do Centro Wolfson para as Doenças Relacionadas com a Idade do King's College, em Londres, sublinham a necessidade de empregar tratamentos menos nocivos para os sintomas neuropsiquiátricos desses pacientes.

Estão demonstrados os benefícios no curto prazo (de 6 a 12 semanas) do tratamento antipsicótico para os sintomas neuropsiquiátricos do Alzheimer, mas também há provas de um aumento paralelo dos efeitos adversos.

Entre eles, estão o desenvolvimento do mal de Parkinson, sonolência, edemas, infecções pulmonares, declínio acelerado das funções cerebrais e hemiplegias (paralisias que impedem movimentos de um dos lados do corpo).

Todos os dados relativos à mortandade referiam-se, até agora, às 12 semanas ou menos posteriores ao início da administração desses neurolépticos.

Entre 2001 e 2004, foi realizado um estudo com pacientes britânicos entre 67 e 100 anos que recebiam tratamento antipsicótico, com tioridazina, clorpromazina, haloperidol, trifuorperazina ou risperidona.

Alguns desses pacientes continuaram sendo tratados com esta medicação, enquanto os outros passaram a receber um placebo oral.

No total, se escolheram aleatoriamente 165 pacientes, 128 dos quais receberam tratamento: 64 a base de antipsicóticos e outros 64, com placebos.

Depois de 12 meses, o índice de sobrevivência entre os do primeiro grupo era de 70%, contra 77% dos que tomavam placebo. No entanto, dois anos depois, a sobrevivência dos doentes que recebiam antipsicóticos era de 46%, contra 71% no grupo do placebo.

Depois de três anos, a diferença era ainda maior: 30% que recebiam antipsicóticos continuavam vivos, contra 59% entre os que tomavam placebo.

Em geral, o risco de morte se mostrou 42% inferior entre os que tomaram placebo ao que recebia antipsicóticos.

Segundo o autor do estudo, a "gestão psicológica pode substituir o tratamento antipsicótico sem que piorem de modo apreciável os sintomas neuropsiquiátricos".

"E embora os inibidores de colinesterase não se mostrem eficazes no curto prazo para a agitação, há provas que a memantina ou os antidepressivos como o citalopram poderiam ser alternativas mais seguras e eficazes para determinados sintomas neuropsiquiátricos".

EFE

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domingo, 2 de novembro de 2008

A fórmula russa contra o Alzheimer

Fonte: REVISTA ÉPOCA


Por que um antialérgico dos anos 80 é a nova esperança no combate à progressão da doença

marcela buscato



O remédio Dimebon é um velho conhecido da indústria farmacêutica. Aprovado na Rússia em 1983 para combater reações alérgicas, foi usado até o início dos anos 90, quando deixou de ser fabricado em razão da concorrência de medicamentos mais modernos. Hoje, não é possível encontrar a droga em nenhum país. Talvez por pouco tempo. O Dimebon ensaia um retorno triunfal. Um estudo divulgado no Lancet, uma importante publicação na área médica, sugere que o antigo remédio russo pode retardar a progressão do mal de Alzheimer.





"Se esses benefícios forem comprovados, o Dimebon será a primeira droga a agir diretamente nas causas da doença, e não só nos sintomas", afirma o neurologista Renato Anghinah, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O Alzheimer, doença que afeta 18 milhões de pessoas no mundo (1 milhão só no Brasil), é a principal causa de demência.





De forma progressiva, destrói os neurônios e apaga as memórias, a identidade e a personalidade dos doentes. Pode transformar uma pessoa afável em teimosa e agressiva. Faz a capacidade intelectual do doente minguar à medida que avança. Primeiro são os lapsos de memória: a pessoa perde objetos guardados nos lugares de sempre. Aprender informações novas se torna um desafio. Logo as palavras começam a faltar, o paciente alterna momentos de lucidez com confusão e não consegue fazer atividades rotineiras sozinho.





A indicação do Dimebon para tratar o Alzheimer ainda está em fase de pesquisa. Mas o remédio já é o centro de um acordo entre a Pfizer, um dos gigantes da área farmacêutica, e a Medivation, a empresa americana de biotecnologia que descobriu o novo potencial do Dimebon. Por US$ 725 milhões, a Pfizer poderá ajudar nos últimos estudos com a droga e levará parte dos lucros com a venda do remédio.





A expectativa é que o Dimebon evite a morte de neurônios saudáveis pela doença



A aposta de uma grande empresa farmacêutica contribuiu para aumentar a expectativa em torno de um possível novo tratamento para a doença. Famílias de pacientes brasileiros entraram na corrida pelo Dimebon. Mesmo sem sair do país, tentaram ir direto à fonte. Recorreram a conhecidos que moravam na Rússia, onde o remédio era vendido. Pediram ajuda a amigos dos conhecidos. Mesmo assim não conseguiram o remédio. Foram produzidos alguns poucos quilos do Dimebon - exclusivamente para os testes em andamento.





Por enquanto, o único estudo publicado, sob patrocínio da Medivation, sugere que o Dimebon poderia estabilizar os sintomas da doença - assim como já fazem as outras quatro drogas disponíveis no mercado para tratar o Alzheimer. Na pesquisa, os voluntários que tomaram 20 miligramas da droga, três vezes ao dia, tiveram uma melhora na memória, no raciocínio, no comportamento e na habilidade de desempenhar atividades diárias. Os pacientes medicados com comprimidos sem efeito clínico (placebo) pioraram.





Para medir quanto o desempenho dos pacientes havia melhorado, os pesquisadores usaram uma escala que leva em consideração a capacidade de uma pessoa se lembrar imediatamente de palavras, atender a comandos e compreender novas informações. O Dimebon parece ter sido mais benéfico num grupo específico, dos pacientes que estavam no estágio inicial da doença. Depois de 18 meses de tratamento, esses voluntários apresentaram uma diferença de quase dez pontos em relação ao grupo que tomou placebo. Mas, quando considerada a melhora de todos os voluntários da pesquisa, os pacientes que tomaram Dimebon por seis meses tiveram, na média, uma nota quatro pontos mais alta que os voluntários que consumiram o placebo. É uma melhora considerável. Mas não tão distante da obtida com drogas que já existem no mercado. Elas conseguem uma melhora entre dois e três pontos.





O que explica, então, tamanho entusiasmo em torno do Dimebon? A vantagem do remédio parece ser sua capacidade de manter os sintomas estáveis por mais tempo. Enquanto as drogas já aprovadas impedem o agravamento dos sintomas durante um ano, em média, o Dimebon conseguiria impedir o avanço por 18 meses - período em que os pesquisadores estudaram sua ação. Esse resultado seria reflexo de uma diferença importante do Dimebon em relação às drogas atuais para tratar o Alzheimer. Os medicamentos já disponíveis agem em sistemas do cérebro que conseguem melhorar a memória, o pensamento e o comportamento dos pacientes. Atuam apenas sobre os sintomas. Já o Dimebon, além desses efeitos, conseguiria agir nas causas da doença. E, por isso, impediria sua progressão.





Esse efeito seria possível porque o Dimebon parece ser capaz de proteger os neurônios saudáveis da destruição impingida pela doença. Ele impediria que os neurônios fossem mortos pela proteína betaamilóide, que se acredita estar relacionada à ocorrência do Alzheimer. "O Dimebon bloqueia os poros anormais de um componente das células que funciona como uma fábrica de energia para elas", afirma Rachelle Doody, autora principal do estudo publicado no Lancet e conselheira científica da Medivation. A proteína não conseguiria entrar nessas fábricas de energia e não mataria os neurônios.





Como o Alzheimer afeta o cérebro



A doença destrói os neurônios e afeta os circuitos cerebrais da aprendizagem e da memória





AS CAUSAS DA DOENÇA



Os pesquisadores acreditam que a proteína betaamilóide esteja relacionada à doença. Ela envolve os neurônios, criando placas que destroem partes do cérebro. Uma mudança química em outra proteína, a tau, também estaria ligada ao Alzheimer. Ela faz com que os microtúbulos por onde circulam os nutrientes dentro do neurônio se enovelem. Com isso, a célula morre



Apesar de os primeiros resultados serem promissores, ainda é cedo para considerar o remédio russo como um freio para o Alzheimer. "Eles sugerem claramente que o Dimebon está agindo sobre os sintomas da doença, o que não significa que ele também esteja protegendo os neurônios", diz o neurologista Eduardo Mutarelli, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. "Esse efeito precisa ser comprovado."





O estudo publicado há três meses foi considerado bem-feito pelos especialistas, mas só ele não reúne evidências suficientes para atestar os benefícios do Dimebon. A pesquisa foi feita com um grupo pequeno - 183 pessoas - e com características peculiares. A idade média, 68 anos, é inferior à tipicamente usada por pesquisadores em estudos sobre a doença. E o fato de todos os voluntários serem russos também poderia provocar uma distorção nos resultados. Os remédios empregados no tratamento do Alzheimer ainda não são muito consumidos no país porque são caros. Por isso, é possível que qualquer medicação surtisse um efeito notável no grupo. "Outras pesquisas são necessárias para comprovar que os resultados obtidos podem ser replicados em qualquer paciente", diz o neurologista Paulo Caramelli, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.





O estudo para confirmar os benefícios do Dimebon em um número maior de pacientes já está em andamento. Conta com 525 pessoas, de várias nacionalidades. Há voluntários da Europa, da América do Sul e dos Estados Unidos. Se a eficácia for comprovada, a Pfizer e a Medivation esperam pedir em 2010 a aprovação para vender o Dimebon no mercado americano. O remédio estaria nas farmácias dos Estados Unidos a partir de 2011, não se sabe se com o mesmo nome ou com um novo.





Nesse cenário, o Dimebon chegaria ao mercado sem a comprovação do benefício que causou maior entusiasmo: seu efeito protetor sobre os neurônios e seu conseqüente potencial para retardar o avanço da doença. "Para isso, precisaríamos fazer um estudo com duração de 18 meses, e não de seis meses, como o que está em andamento", afirma a endocrinologista Lynn Seely, diretora-médica da Medivation. "Consideramos que para os pacientes o mais importante é ter o medicamento no mercado logo", diz Lynn. "Para eles, não importa como o remédio funciona."





Faltam pesquisas que comprovem os benefícios do Dimebon



num grande número de pacientes



O fato de o Dimebon ter sido desenvolvido a princípio com outra finalidade - controlar reações alérgicas - ajudou a ganhar tempo. Não foi necessário fazer novamente testes em animais para verificar os perigos que a medicação poderia oferecer. O remédio já havia passado por essas etapas quando foi aprovado.





Por essa economia de tempo e dinheiro, pesquisadores como o alemão Peer Bork, do Laboratório Europeu de Biologia Molecular, afirmam que as bulas de drogas já aprovadas são um novo campo a ser explorado pela indústria farmacêutica. Não foram poucos os remédios descobertos dessa maneira. Uma das drogas já usadas no tratamento do Alzheimer, a memantina, também foi desenvolvida para outro uso: controlar o mal de Parkinson, que causa tremores e rigidez muscular.





O próprio Bork descobriu 13 novos usos para drogas antigas ao reavaliar 20 medicamentos. Constatou, inclusive, que um remédio usado em casos de Alzheimer, o donepezil, poderia tratar pacientes depressivos. "O problema é que geralmente as empresas têm boas patentes sobre as drogas e acabam desencorajando pesquisas para descobrir novas indicações", diz.





Apesar das dúvidas que ainda cercam o Dimebon, drogas com um princípio de ação similar ao seu parecem ser o futuro do tratamento do Alzheimer. Pelo menos, foi nesse tipo de medicação - que atua nos mecanismos iniciais da doença - que as grandes empresas farmacêuticas centraram seus esforços. A irlandesa Elan e a americana Wyeth iniciaram a última etapa de testes do anticorpo bapineuzumab, que conseguiria se ligar às placas da proteína betaamilóide e "limpar" o cérebro. Os resultados das pesquisas já concluídas, porém, deixaram dúvidas. Em um grupo de pacientes, o anticorpo não causou nenhuma melhora nos sintomas. A Eli Lilly está na segunda etapa dos estudos clínicos de seu anticorpo. E também já teria começado a última fase de pesquisa de uma medicação que impede a formação da proteína betaamilóide. Um laboratório menor, o TauRx Therapeutics, de Cingapura, investe na droga Rember. Ela conseguiria dissolver a proteína tau, que também estaria ligada ao Alzheimer, porque destrói os microtúbulos por onde circulam nutrientes para os neurônios.





Assim como o Dimebon, o Rember é conhecido por outros usos. Popularmente chamado de azul de metileno, é usado como corante. Agora, está na segunda etapa de pesquisas para provar sua ação contra o Alzheimer. Não deixa de ser irônico que em um tempo de modernas técnicas de bioengenharia e diante do potencial das células-tronco, capazes de reconstruir qualquer tecido do organismo, drogas de décadas atrás despontem como o que há de melhor na guerra contra o Alzheimer. As famílias, tão carentes de recursos eficazes, esperam que os estudos sejam acelerados. É uma luta contra o tempo.





A nova promessa



O Dimebon está nas últimas fases de teste com pacientes. Sua chegada às farmácias dos Estados Unidos está prevista para 2011







O QUE É



O Dimebon era usado na Rússia para tratar alergias até os anos 90. Estudos feitos em ratos sugeriram que ele melhoraria o aprendizado e a memória. Por isso, passou a ser estudado para o tratamento de Alzheimer





O QUE FAZ



Seria o primeiro medicamento capaz de proteger os neurônios e retardar a progressão da doença. Em um teste, o desempenho dos pacientes foi igual ou superior ao observado antes do tratamento





COMO FUNCIONA



O mecanismo de ação ainda não foi desvendado. Combinaria a ação das drogas que já existem para tratar a doença e que melhoram os sintomas. Além disso, protegeria a fábrica de energia das células, evitando a morte dos neurônios



Uma velha droga, uma nova função



Outros exemplos de remédios antigos que ganharam novos usos





VIAGRA



A Pfizer testava a droga para tratar pressão alta e angina (dor no peito causada pelo estreitamento dos vasos que irrigam o coração). Os pesquisadores notaram que os voluntários tinham ereções. Virou um sucesso no tratamento da impotência



ASPIRINA



Os efeitos analgésicos do ácido acetilsalicílico são conhecidos desde antes de Cristo - naquela época, o princípio ativo era obtido em folhas de salgueiro. Sua ação só foi explicada nos anos 70. Passou a ser indicado para evitar a recorrência de infartos



AZT



Era estudado desde a década de 1960 para combater células cancerígenas. Mas se tornou, em 1987, o primeiro medicamento contra a AIDS. Seu efeito ajudaria a inibir a multiplicação do vírus HIV no organismo



MEMANTINA



É a única droga recomendada para as fases mais graves do Alzheimer. Ajudaria a manter as funções cognitivas por mais tempo porque diminui os níveis de uma substância que intoxica os neurônios. Já era usado desde os anos 80 para tratar o mal de Parkinson



AMANTADINA



É usada para prevenir infecções respiratórias causadas pelo vírus influenza A, que contamina animais e raramente o homem. Em 1969, foi descoberto seu potencial para tratar os sintomas do Parkinson, diminuindo a rigidez muscular e os tremores

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Doença de Alzheimer

22 de Agosto de 2008
Novidade no tratamento da Doença de Alzheimer

Substância em estudo poderá representar um avanço na tentativa de retardar a progressão dessa doença fatal

A indústria farmacêutica Eli Lilly acaba de anunciar dados de um estudo de fase II com a molécula LY2062430, um anticorpo monoclonal anti beta-amilóide, que está sendo desenvolvido para o tratamento da doença de Alzheimer de gravidade leve a moderada. Os resultados da pesquisa foram apresentados durante a Conferência Internacional da Associação de Alzheimer 2008 (ICAD - Alzheimer's Association's 2008 International Conference on Alzheimer's Disease), em Chicago, nos Estados Unidos.

Pesquisadores desse estudo, controlado e randomizado, avaliaram a segurança e a tolerabilidade do LY2062430, administrado por via intravenosa, em pacientes com doença de Alzheimer e em voluntários saudáveis durante doze semanas. Como as concentrações de beta-amilóide detectadas no sangue e no líquido cefalorraquidiano estavam mais elevadas, esses e outros dados observados sugerem que, ao ligar-se às proteínas beta-amilóides solúveis, o LY2062430 pode começar a dissolver as placas amilóides presentes no cérebro do portador da doença.

O LY2062430 foi bem tolerado pelo organismo, não havendo evidências de inflamação cerebral, sangramento ou quaisquer outros efeitos colaterais decorrentes do tratamento. Não houve alterações dos scores cognitivos dos pacientes e nem alterações dos níveis de placa beta-amilóide, conforme
observado com o marcador nas tomografias por emissão de fótons. Foi constatado um aumento de dois outros tipos de proteína beta-amilóide, que se imaginava presente somente em placas amilóides, também no sangue e líquido cefalorraquidiano dos participantes. Acredita-se que o líquido cefalorraquidiano, que banha o cérebro e a medula espinal, possa ser utilizado como biomarcador, fornecendo importantes dados adicionais, além daqueles obtidos através do sangue. As placas amilóides, principal determinante patológico da doença de Alzheimer, são compostas principalmente por agregados de proteínas beta-amilóides. Essas placas ou outros tipos de proteínas beta-amilóides são responsáveis pela desorganização das funções normais das células nervosas cerebrais, levando à demência que caracteriza esse mal degenerativo.

Esses achados correspondentes ao biomarcador sugerem que um tratamento com LY2062430 por um prazo mais longo poderia retardar a progressão da doença. Portanto, justificando estudos adicionais com o LY2064230.

Os pesquisadores ministraram placebo ou doses variadas do LY2062430 a 52 pacientes com doença de Alzheimer leve a moderada: 100 mg ou 400 mg uma vez por semana, ou 100 mg ou 400 mg a cada quatro semanas. A gravidade dos sintomas da doença também foi avaliada. Além disso, cada um dos 16 voluntários recebeu uma dose única de 100 mg do LY2062430 ou de placebo. Todos os participantes do estudo foram submetidos a exame de ressonância magnética e avaliação do líquido cefalorraquidiano. Foi realizado um sub-estudo envolvendo 24 pacientes e 13 voluntários, que foram submetidos a tomografia por emissão de fótons, utilizando um marcador experimental para avaliar os níveis de placa beta-amilóide no cérebro.


Segundo Eric Siemers, diretor médico do Setor de Pesquisas do Alzheimer da Lilly, "essa doença é complexa e há uma real carência por tratamentos que possam retardar sua progressão. Em função disso e pelos resultados obtidos no estudo de fase II, em 2009, daremos início ao estudo central de fase III com LY2062430".

A Lilly também está cadastrando pacientes para participar do estudo de Fase III denominado IDENTITY, que investiga o tratamento com LY450139, um inibidor da gama-secretase em fase de investigação que, acredita-se, retarde a formação de beta-amilóide, sendo outro agente em potencial para retardar a progressão da doença.

Sobre a doença Alzheimer
A doença de Alzheimer apresenta estágios progressivos, nos quais os pacientes vão dependendo cada vez mais de auxílio para o dia-a-dia, até que se tornam totalmente dependentes mesmo para as funções básicas, como higiene pessoal e alimentação. A duração média entre início dos sintomas e morte, devido a complicações da doença, varia de 8 a 10 anos. Apesar de acometer cerca de 18 milhões de pessoas no mundo, com um contingente de vítimas estimado, no Brasil, entre 500 mil e 1 milhão, apenas um quarto dos que sofrem com essa doença têm seu diagnóstico estabelecido.

Dado o envelhecimento da população e sem a disponibilidade de medicamentos que retardam ou impeçam o aparecimento da doença, o número de pessoas afetadas cresce. Estima-se que, até o ano 2050, o número de portadores da doença triplique nos países desenvolvidos. O impacto econômico do problema nos Estados Unidos é estimado em US$ 150 bilhões, onde a doença de Alzheimer já é a sétima causa de mortes. Em 2005, o custo total da doença no mundo foi estimado em US $ 315,4 bilhões.
Rumo Comunicação Empresarial
Regina Rocha/ Mari Cavalheiro

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

ALZHEIMER - DROGAS EM TESTE

Novas drogas estão saindo dos laboratórios de ciência básica e sendo investigadas em vários ensaios com seres humanos.
Uma das linhas de pesquisa mais promissora e interessante baseia-se na “Hipótese Amilóide”.

A hipótese é que a doença de Alzheimer inicia-se com a acumulação das placas amilóides (neuríticas) e assim sendo, se for possível impedir a formação dessas lesões, a instalação e a evolução da doença seria passível de ser retardada e até evitada.

Cientistas isolaram enzimas chamadas de “secretases” que seriam fundamentais na gênese da proteína beta-amilóde. Secretases são formas de proteases, o mesmo tipo de enzima que são inibidas para o tratamento da AIDS, os inibidores de protease. Drogas chamadas de, inibidores de secretase, estão sendo desenvolvidas com o objetivo de bloquear a formação beta-amilóide, e algumas delas já se encontram em fase de pesquisa clínica.

Uma outra forma de combater a formação das placas seria estimular o sistema imunológico para destruir a formação beta-amilóide. Cientistas desenvolveram uma vacina que colocam amilóide na corrente sanguínea esperando que haja formação de anticorpos para destruírem as placas neuríticas em formação.

A vacina funcionou bem em ratos, especialmente nos que receberam genes humanos para que houvesse formação das placas. Mas quando a vacina foi testada em humanos, algumas pessoas apresentaram encefalite. A vacinação foi interrompida mas os já vacinados estão sendo acompanhados. Embora esse fato tenha sido frustrante, acredita-se que essa é uma grande avenida a ser percorrida para lentificar o curso ou até mesmo prevenir a doença de Alzheimer.

“Nós ainda estamos procurando a seqüência de eventos onde nós poderíamos interferir e curar a doença sem causar danos”, diz Marcelle Morrison-Bogorad,PhD., diretor do NIA´s “Neuroscience and Neuropsychology og Aging Program”.

O Dr Morrison-Bogorad conclui “os cientistas poderão um dia serem capazes de injetar uma substância na corrente sanguínea para extrair o amilóide através do líquido cefalorraquidiano. Isso pode acontecer com ratos – mas nós não sabemos se será possível em humanos”.


Proteína-Beta-Amilóide

DROGAS EM TESTE

AMPALEX

FDA: FASE II
O glutamato é um aminoácido liberado pelos neurônios com propriedades excitatórias. Fixa-se em lugares específicos nos neurônios, receptores AMPA (alpha-amino2,3-dihidro-5methyl3-oxo-4-ácido isoxazolepropanóico). A estimulação dos receptores excitatórios neuronais é um grande passo na formação da memória. A droga modularia os receptores AMPA. Estudos preliminares demonstraram melhora cognitiva em idosos sem demência.


ALZHEMED

FDA: FASE III
Objetivo: Evitar a formação e o depósito de amilóide.

ATORVASTATIN (LÍPITOR)

FDA:FASE II/IIa/IIb
Objetivo: Evitar a formação e o depósito de amilóide.

BETA & GAMA - Secretase-Inibidores

FDA: FASE pré- Clínica
Objetivo: São duas proteases que fracionam o Precursor da Proteína Amilóide. Diminuir a ação dessas enzimas diminuiria a produção amilóide e retardaria a evolução da doença.

CLIOQUINOL (iodochlorhydroxyquin)

FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: inibe os íons Zinco e Cobre teoricamente diminuindo a produção de beta A4.

DAPSONE (AVLOSULFON)

FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: ação antiinflamatória. Diminuiria a progressão da doença.

ESTRÓGENO (PREMARIN)

FDA: FASE III
Objetivo: retardar o início da doença.

HUPERZINE- A – Não regulada pelo FDA – Erva Chinesa

Objetivo: Inibidor natural da acetilcolinesterase, mais potente que o tacrine e o donepesil. Além de melhorar a cognição teria efeito neuroprotetor.

IBUPROFEN (MOTRIN,ADVIL,NUPRIN)

FDA: FASE III
Objetivo: Prevenir ou retardar o início da doença diminuindo o processo inflamatório cerebral relacionado com a formação das placas neuríticas.

LEUPROLIDE

FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: Melhoraria a cognição e diminuiria a progressão da doença. Modula a testosterona e o estrógeno que estariam relacionados com a formação da proteína TAU e da beta-amilóide A4. Aprovado para o tratamento de câncer de próstata.

MELATONINA- Não regulada pelo FDA – Proibida no Brasil

MILAMELINE –(CI 979)

FDA:FASE II/IIa/IIb
Objetivo: Agonista muscarínico. Melhoraria a cognição. Parece ser bem tolerado.

MKC-231

FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: Aumenta a concentração de colina e da acetilcolina liberada

NAPROXEN (NAPROSYN, ALEVE, ANAPROX)

FDA: FASE III
Objetivo: ação antiinflamatória

NEFIRACETAN

FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: ativador colinérgico. Aumentaria a cognição.

NEOTROFIN ( AIT – 082 )

FDA: FASE : II/IIa/IIb
Objetivo: agente nootrópico. Melhoria global da cognição.

NS2330

FDA: FASE: II/IIa/IIb
Objetivo: aumentar a ação da acetilcolina, da noradrenalina e da dopamina.

PHENSERINE

FDA: FASE: II/IIa/IIb
Objetivo: Inibidor da acetilcolinesterase , inibindo a formação do Precursor da Proteína Amilóide.

ROFECOXIB (VIOXX) - ESTUDO DESCONTINUADO OUT/2004
FDA: FASE:III
Objetivo: ação antiinflamatória inibindo a formação das placas neuríticas.

ESTATINAS

FDA: FASE: II/IIa/IIb
Objetivo: Alterar o metabolismo do Precursor da Proteína Beta amilóide reduzindo a formação da A4 . Também testa a ação antiinflamatória, reduz a oxidação das lipoproteínas atenuando o dano celular causado pelo “stress oxidativo”.

VALPROATO (DEPAKENE , ÁCIDO VALPRÓICO)

FDA: FASE:III
Objetivo: droga anticonvulsivante. Testa sua eficácia no controle da agitação em pacientes com doença de Alzheimer