19 de janeiro de 2009 • 15h56 • atualizado em 19 de janeiro de 2009 às 15h56
* Notícias
Uma pílula que ajuda a reativar a memória pode ser disponibilizada em breve no mercado. A "pílula da memória", como foi batizada, está em fase de testes e, entre os benefícios, seria a solução para quem se esquece com facilidade das coisas. As informações são do jornal britânico Telegraph.
O medicamento teria a capacidade de ajudar a evitar que as pessoas se esqueçam de datas, compromissos e informações importantes e foi originalmente criado para tratar do Mal de Alzheimer. A nova droga seria adaptada e licenciada para venda numa versão mais fraca que a utilizada por pacientes com Alzheimer.
A pílula está sendo desenvolvida por uma multinacional em colaboração com a AstraZeneca Targacept, empresa americana do setor farmacêutico, enquanto a Epix Pharmaceuticals, outra companhia dos Estados Unidos, está desenvolvendo medicamento similar. As drágeas teriam "efeitos cognitivos de reforço" específicos para tratar de pacientes com perda de memória.
Steven Ferris, neurologista e ex-membro da Food and Drugs Administration (FDA), agência americana reguladora do setor de alimentos e medicamentos, prevê que a versão mais suave da pílula esteja disponível para os consumidores em breve.
"Minha opinião é que já seria possível que ela fosse aprovada já, pois a droga mostrou-se eficaz e segura", disse Ferris, que fez os primeiros testes em pacientes da Inglaterra.
Redação Terra
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
Pacientes de Alzheimer vivem menos com antipsicóticos
Saúde
Quinta, 8 de janeiro de 2009, 11h30
Os pacientes de Alzheimer que recebem antipsicóticos - também conhecidos como neurolépticos - apresentam maiores índices de mortalidade entre dois e três anos depois do tratamento, segundo um estudo publicado pela revista The Lancet.
Os resultados do estudo do médico Clive Ballard, do Centro Wolfson para as Doenças Relacionadas com a Idade do King's College, em Londres, sublinham a necessidade de empregar tratamentos menos nocivos para os sintomas neuropsiquiátricos desses pacientes.
Estão demonstrados os benefícios no curto prazo (de 6 a 12 semanas) do tratamento antipsicótico para os sintomas neuropsiquiátricos do Alzheimer, mas também há provas de um aumento paralelo dos efeitos adversos.
Entre eles, estão o desenvolvimento do mal de Parkinson, sonolência, edemas, infecções pulmonares, declínio acelerado das funções cerebrais e hemiplegias (paralisias que impedem movimentos de um dos lados do corpo).
Todos os dados relativos à mortandade referiam-se, até agora, às 12 semanas ou menos posteriores ao início da administração desses neurolépticos.
Entre 2001 e 2004, foi realizado um estudo com pacientes britânicos entre 67 e 100 anos que recebiam tratamento antipsicótico, com tioridazina, clorpromazina, haloperidol, trifuorperazina ou risperidona.
Alguns desses pacientes continuaram sendo tratados com esta medicação, enquanto os outros passaram a receber um placebo oral.
No total, se escolheram aleatoriamente 165 pacientes, 128 dos quais receberam tratamento: 64 a base de antipsicóticos e outros 64, com placebos.
Depois de 12 meses, o índice de sobrevivência entre os do primeiro grupo era de 70%, contra 77% dos que tomavam placebo. No entanto, dois anos depois, a sobrevivência dos doentes que recebiam antipsicóticos era de 46%, contra 71% no grupo do placebo.
Depois de três anos, a diferença era ainda maior: 30% que recebiam antipsicóticos continuavam vivos, contra 59% entre os que tomavam placebo.
Em geral, o risco de morte se mostrou 42% inferior entre os que tomaram placebo ao que recebia antipsicóticos.
Segundo o autor do estudo, a "gestão psicológica pode substituir o tratamento antipsicótico sem que piorem de modo apreciável os sintomas neuropsiquiátricos".
"E embora os inibidores de colinesterase não se mostrem eficazes no curto prazo para a agitação, há provas que a memantina ou os antidepressivos como o citalopram poderiam ser alternativas mais seguras e eficazes para determinados sintomas neuropsiquiátricos".
EFE
Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.
Quinta, 8 de janeiro de 2009, 11h30
Os pacientes de Alzheimer que recebem antipsicóticos - também conhecidos como neurolépticos - apresentam maiores índices de mortalidade entre dois e três anos depois do tratamento, segundo um estudo publicado pela revista The Lancet.
Os resultados do estudo do médico Clive Ballard, do Centro Wolfson para as Doenças Relacionadas com a Idade do King's College, em Londres, sublinham a necessidade de empregar tratamentos menos nocivos para os sintomas neuropsiquiátricos desses pacientes.
Estão demonstrados os benefícios no curto prazo (de 6 a 12 semanas) do tratamento antipsicótico para os sintomas neuropsiquiátricos do Alzheimer, mas também há provas de um aumento paralelo dos efeitos adversos.
Entre eles, estão o desenvolvimento do mal de Parkinson, sonolência, edemas, infecções pulmonares, declínio acelerado das funções cerebrais e hemiplegias (paralisias que impedem movimentos de um dos lados do corpo).
Todos os dados relativos à mortandade referiam-se, até agora, às 12 semanas ou menos posteriores ao início da administração desses neurolépticos.
Entre 2001 e 2004, foi realizado um estudo com pacientes britânicos entre 67 e 100 anos que recebiam tratamento antipsicótico, com tioridazina, clorpromazina, haloperidol, trifuorperazina ou risperidona.
Alguns desses pacientes continuaram sendo tratados com esta medicação, enquanto os outros passaram a receber um placebo oral.
No total, se escolheram aleatoriamente 165 pacientes, 128 dos quais receberam tratamento: 64 a base de antipsicóticos e outros 64, com placebos.
Depois de 12 meses, o índice de sobrevivência entre os do primeiro grupo era de 70%, contra 77% dos que tomavam placebo. No entanto, dois anos depois, a sobrevivência dos doentes que recebiam antipsicóticos era de 46%, contra 71% no grupo do placebo.
Depois de três anos, a diferença era ainda maior: 30% que recebiam antipsicóticos continuavam vivos, contra 59% entre os que tomavam placebo.
Em geral, o risco de morte se mostrou 42% inferior entre os que tomaram placebo ao que recebia antipsicóticos.
Segundo o autor do estudo, a "gestão psicológica pode substituir o tratamento antipsicótico sem que piorem de modo apreciável os sintomas neuropsiquiátricos".
"E embora os inibidores de colinesterase não se mostrem eficazes no curto prazo para a agitação, há provas que a memantina ou os antidepressivos como o citalopram poderiam ser alternativas mais seguras e eficazes para determinados sintomas neuropsiquiátricos".
EFE
Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.
domingo, 2 de novembro de 2008
A fórmula russa contra o Alzheimer
Fonte: REVISTA ÉPOCA
Por que um antialérgico dos anos 80 é a nova esperança no combate à progressão da doença
marcela buscato
O remédio Dimebon é um velho conhecido da indústria farmacêutica. Aprovado na Rússia em 1983 para combater reações alérgicas, foi usado até o início dos anos 90, quando deixou de ser fabricado em razão da concorrência de medicamentos mais modernos. Hoje, não é possível encontrar a droga em nenhum país. Talvez por pouco tempo. O Dimebon ensaia um retorno triunfal. Um estudo divulgado no Lancet, uma importante publicação na área médica, sugere que o antigo remédio russo pode retardar a progressão do mal de Alzheimer.
"Se esses benefícios forem comprovados, o Dimebon será a primeira droga a agir diretamente nas causas da doença, e não só nos sintomas", afirma o neurologista Renato Anghinah, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O Alzheimer, doença que afeta 18 milhões de pessoas no mundo (1 milhão só no Brasil), é a principal causa de demência.
De forma progressiva, destrói os neurônios e apaga as memórias, a identidade e a personalidade dos doentes. Pode transformar uma pessoa afável em teimosa e agressiva. Faz a capacidade intelectual do doente minguar à medida que avança. Primeiro são os lapsos de memória: a pessoa perde objetos guardados nos lugares de sempre. Aprender informações novas se torna um desafio. Logo as palavras começam a faltar, o paciente alterna momentos de lucidez com confusão e não consegue fazer atividades rotineiras sozinho.
A indicação do Dimebon para tratar o Alzheimer ainda está em fase de pesquisa. Mas o remédio já é o centro de um acordo entre a Pfizer, um dos gigantes da área farmacêutica, e a Medivation, a empresa americana de biotecnologia que descobriu o novo potencial do Dimebon. Por US$ 725 milhões, a Pfizer poderá ajudar nos últimos estudos com a droga e levará parte dos lucros com a venda do remédio.
A expectativa é que o Dimebon evite a morte de neurônios saudáveis pela doença
A aposta de uma grande empresa farmacêutica contribuiu para aumentar a expectativa em torno de um possível novo tratamento para a doença. Famílias de pacientes brasileiros entraram na corrida pelo Dimebon. Mesmo sem sair do país, tentaram ir direto à fonte. Recorreram a conhecidos que moravam na Rússia, onde o remédio era vendido. Pediram ajuda a amigos dos conhecidos. Mesmo assim não conseguiram o remédio. Foram produzidos alguns poucos quilos do Dimebon - exclusivamente para os testes em andamento.
Por enquanto, o único estudo publicado, sob patrocínio da Medivation, sugere que o Dimebon poderia estabilizar os sintomas da doença - assim como já fazem as outras quatro drogas disponíveis no mercado para tratar o Alzheimer. Na pesquisa, os voluntários que tomaram 20 miligramas da droga, três vezes ao dia, tiveram uma melhora na memória, no raciocínio, no comportamento e na habilidade de desempenhar atividades diárias. Os pacientes medicados com comprimidos sem efeito clínico (placebo) pioraram.
Para medir quanto o desempenho dos pacientes havia melhorado, os pesquisadores usaram uma escala que leva em consideração a capacidade de uma pessoa se lembrar imediatamente de palavras, atender a comandos e compreender novas informações. O Dimebon parece ter sido mais benéfico num grupo específico, dos pacientes que estavam no estágio inicial da doença. Depois de 18 meses de tratamento, esses voluntários apresentaram uma diferença de quase dez pontos em relação ao grupo que tomou placebo. Mas, quando considerada a melhora de todos os voluntários da pesquisa, os pacientes que tomaram Dimebon por seis meses tiveram, na média, uma nota quatro pontos mais alta que os voluntários que consumiram o placebo. É uma melhora considerável. Mas não tão distante da obtida com drogas que já existem no mercado. Elas conseguem uma melhora entre dois e três pontos.
O que explica, então, tamanho entusiasmo em torno do Dimebon? A vantagem do remédio parece ser sua capacidade de manter os sintomas estáveis por mais tempo. Enquanto as drogas já aprovadas impedem o agravamento dos sintomas durante um ano, em média, o Dimebon conseguiria impedir o avanço por 18 meses - período em que os pesquisadores estudaram sua ação. Esse resultado seria reflexo de uma diferença importante do Dimebon em relação às drogas atuais para tratar o Alzheimer. Os medicamentos já disponíveis agem em sistemas do cérebro que conseguem melhorar a memória, o pensamento e o comportamento dos pacientes. Atuam apenas sobre os sintomas. Já o Dimebon, além desses efeitos, conseguiria agir nas causas da doença. E, por isso, impediria sua progressão.
Esse efeito seria possível porque o Dimebon parece ser capaz de proteger os neurônios saudáveis da destruição impingida pela doença. Ele impediria que os neurônios fossem mortos pela proteína betaamilóide, que se acredita estar relacionada à ocorrência do Alzheimer. "O Dimebon bloqueia os poros anormais de um componente das células que funciona como uma fábrica de energia para elas", afirma Rachelle Doody, autora principal do estudo publicado no Lancet e conselheira científica da Medivation. A proteína não conseguiria entrar nessas fábricas de energia e não mataria os neurônios.
Como o Alzheimer afeta o cérebro
A doença destrói os neurônios e afeta os circuitos cerebrais da aprendizagem e da memória
AS CAUSAS DA DOENÇA
Os pesquisadores acreditam que a proteína betaamilóide esteja relacionada à doença. Ela envolve os neurônios, criando placas que destroem partes do cérebro. Uma mudança química em outra proteína, a tau, também estaria ligada ao Alzheimer. Ela faz com que os microtúbulos por onde circulam os nutrientes dentro do neurônio se enovelem. Com isso, a célula morre
Apesar de os primeiros resultados serem promissores, ainda é cedo para considerar o remédio russo como um freio para o Alzheimer. "Eles sugerem claramente que o Dimebon está agindo sobre os sintomas da doença, o que não significa que ele também esteja protegendo os neurônios", diz o neurologista Eduardo Mutarelli, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. "Esse efeito precisa ser comprovado."
O estudo publicado há três meses foi considerado bem-feito pelos especialistas, mas só ele não reúne evidências suficientes para atestar os benefícios do Dimebon. A pesquisa foi feita com um grupo pequeno - 183 pessoas - e com características peculiares. A idade média, 68 anos, é inferior à tipicamente usada por pesquisadores em estudos sobre a doença. E o fato de todos os voluntários serem russos também poderia provocar uma distorção nos resultados. Os remédios empregados no tratamento do Alzheimer ainda não são muito consumidos no país porque são caros. Por isso, é possível que qualquer medicação surtisse um efeito notável no grupo. "Outras pesquisas são necessárias para comprovar que os resultados obtidos podem ser replicados em qualquer paciente", diz o neurologista Paulo Caramelli, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.
O estudo para confirmar os benefícios do Dimebon em um número maior de pacientes já está em andamento. Conta com 525 pessoas, de várias nacionalidades. Há voluntários da Europa, da América do Sul e dos Estados Unidos. Se a eficácia for comprovada, a Pfizer e a Medivation esperam pedir em 2010 a aprovação para vender o Dimebon no mercado americano. O remédio estaria nas farmácias dos Estados Unidos a partir de 2011, não se sabe se com o mesmo nome ou com um novo.
Nesse cenário, o Dimebon chegaria ao mercado sem a comprovação do benefício que causou maior entusiasmo: seu efeito protetor sobre os neurônios e seu conseqüente potencial para retardar o avanço da doença. "Para isso, precisaríamos fazer um estudo com duração de 18 meses, e não de seis meses, como o que está em andamento", afirma a endocrinologista Lynn Seely, diretora-médica da Medivation. "Consideramos que para os pacientes o mais importante é ter o medicamento no mercado logo", diz Lynn. "Para eles, não importa como o remédio funciona."
Faltam pesquisas que comprovem os benefícios do Dimebon
num grande número de pacientes
O fato de o Dimebon ter sido desenvolvido a princípio com outra finalidade - controlar reações alérgicas - ajudou a ganhar tempo. Não foi necessário fazer novamente testes em animais para verificar os perigos que a medicação poderia oferecer. O remédio já havia passado por essas etapas quando foi aprovado.
Por essa economia de tempo e dinheiro, pesquisadores como o alemão Peer Bork, do Laboratório Europeu de Biologia Molecular, afirmam que as bulas de drogas já aprovadas são um novo campo a ser explorado pela indústria farmacêutica. Não foram poucos os remédios descobertos dessa maneira. Uma das drogas já usadas no tratamento do Alzheimer, a memantina, também foi desenvolvida para outro uso: controlar o mal de Parkinson, que causa tremores e rigidez muscular.
O próprio Bork descobriu 13 novos usos para drogas antigas ao reavaliar 20 medicamentos. Constatou, inclusive, que um remédio usado em casos de Alzheimer, o donepezil, poderia tratar pacientes depressivos. "O problema é que geralmente as empresas têm boas patentes sobre as drogas e acabam desencorajando pesquisas para descobrir novas indicações", diz.
Apesar das dúvidas que ainda cercam o Dimebon, drogas com um princípio de ação similar ao seu parecem ser o futuro do tratamento do Alzheimer. Pelo menos, foi nesse tipo de medicação - que atua nos mecanismos iniciais da doença - que as grandes empresas farmacêuticas centraram seus esforços. A irlandesa Elan e a americana Wyeth iniciaram a última etapa de testes do anticorpo bapineuzumab, que conseguiria se ligar às placas da proteína betaamilóide e "limpar" o cérebro. Os resultados das pesquisas já concluídas, porém, deixaram dúvidas. Em um grupo de pacientes, o anticorpo não causou nenhuma melhora nos sintomas. A Eli Lilly está na segunda etapa dos estudos clínicos de seu anticorpo. E também já teria começado a última fase de pesquisa de uma medicação que impede a formação da proteína betaamilóide. Um laboratório menor, o TauRx Therapeutics, de Cingapura, investe na droga Rember. Ela conseguiria dissolver a proteína tau, que também estaria ligada ao Alzheimer, porque destrói os microtúbulos por onde circulam nutrientes para os neurônios.
Assim como o Dimebon, o Rember é conhecido por outros usos. Popularmente chamado de azul de metileno, é usado como corante. Agora, está na segunda etapa de pesquisas para provar sua ação contra o Alzheimer. Não deixa de ser irônico que em um tempo de modernas técnicas de bioengenharia e diante do potencial das células-tronco, capazes de reconstruir qualquer tecido do organismo, drogas de décadas atrás despontem como o que há de melhor na guerra contra o Alzheimer. As famílias, tão carentes de recursos eficazes, esperam que os estudos sejam acelerados. É uma luta contra o tempo.
A nova promessa
O Dimebon está nas últimas fases de teste com pacientes. Sua chegada às farmácias dos Estados Unidos está prevista para 2011
O QUE É
O Dimebon era usado na Rússia para tratar alergias até os anos 90. Estudos feitos em ratos sugeriram que ele melhoraria o aprendizado e a memória. Por isso, passou a ser estudado para o tratamento de Alzheimer
O QUE FAZ
Seria o primeiro medicamento capaz de proteger os neurônios e retardar a progressão da doença. Em um teste, o desempenho dos pacientes foi igual ou superior ao observado antes do tratamento
COMO FUNCIONA
O mecanismo de ação ainda não foi desvendado. Combinaria a ação das drogas que já existem para tratar a doença e que melhoram os sintomas. Além disso, protegeria a fábrica de energia das células, evitando a morte dos neurônios
Uma velha droga, uma nova função
Outros exemplos de remédios antigos que ganharam novos usos
VIAGRA
A Pfizer testava a droga para tratar pressão alta e angina (dor no peito causada pelo estreitamento dos vasos que irrigam o coração). Os pesquisadores notaram que os voluntários tinham ereções. Virou um sucesso no tratamento da impotência
ASPIRINA
Os efeitos analgésicos do ácido acetilsalicílico são conhecidos desde antes de Cristo - naquela época, o princípio ativo era obtido em folhas de salgueiro. Sua ação só foi explicada nos anos 70. Passou a ser indicado para evitar a recorrência de infartos
AZT
Era estudado desde a década de 1960 para combater células cancerígenas. Mas se tornou, em 1987, o primeiro medicamento contra a AIDS. Seu efeito ajudaria a inibir a multiplicação do vírus HIV no organismo
MEMANTINA
É a única droga recomendada para as fases mais graves do Alzheimer. Ajudaria a manter as funções cognitivas por mais tempo porque diminui os níveis de uma substância que intoxica os neurônios. Já era usado desde os anos 80 para tratar o mal de Parkinson
AMANTADINA
É usada para prevenir infecções respiratórias causadas pelo vírus influenza A, que contamina animais e raramente o homem. Em 1969, foi descoberto seu potencial para tratar os sintomas do Parkinson, diminuindo a rigidez muscular e os tremores
Por que um antialérgico dos anos 80 é a nova esperança no combate à progressão da doença
marcela buscato
O remédio Dimebon é um velho conhecido da indústria farmacêutica. Aprovado na Rússia em 1983 para combater reações alérgicas, foi usado até o início dos anos 90, quando deixou de ser fabricado em razão da concorrência de medicamentos mais modernos. Hoje, não é possível encontrar a droga em nenhum país. Talvez por pouco tempo. O Dimebon ensaia um retorno triunfal. Um estudo divulgado no Lancet, uma importante publicação na área médica, sugere que o antigo remédio russo pode retardar a progressão do mal de Alzheimer.
"Se esses benefícios forem comprovados, o Dimebon será a primeira droga a agir diretamente nas causas da doença, e não só nos sintomas", afirma o neurologista Renato Anghinah, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O Alzheimer, doença que afeta 18 milhões de pessoas no mundo (1 milhão só no Brasil), é a principal causa de demência.
De forma progressiva, destrói os neurônios e apaga as memórias, a identidade e a personalidade dos doentes. Pode transformar uma pessoa afável em teimosa e agressiva. Faz a capacidade intelectual do doente minguar à medida que avança. Primeiro são os lapsos de memória: a pessoa perde objetos guardados nos lugares de sempre. Aprender informações novas se torna um desafio. Logo as palavras começam a faltar, o paciente alterna momentos de lucidez com confusão e não consegue fazer atividades rotineiras sozinho.
A indicação do Dimebon para tratar o Alzheimer ainda está em fase de pesquisa. Mas o remédio já é o centro de um acordo entre a Pfizer, um dos gigantes da área farmacêutica, e a Medivation, a empresa americana de biotecnologia que descobriu o novo potencial do Dimebon. Por US$ 725 milhões, a Pfizer poderá ajudar nos últimos estudos com a droga e levará parte dos lucros com a venda do remédio.
A expectativa é que o Dimebon evite a morte de neurônios saudáveis pela doença
A aposta de uma grande empresa farmacêutica contribuiu para aumentar a expectativa em torno de um possível novo tratamento para a doença. Famílias de pacientes brasileiros entraram na corrida pelo Dimebon. Mesmo sem sair do país, tentaram ir direto à fonte. Recorreram a conhecidos que moravam na Rússia, onde o remédio era vendido. Pediram ajuda a amigos dos conhecidos. Mesmo assim não conseguiram o remédio. Foram produzidos alguns poucos quilos do Dimebon - exclusivamente para os testes em andamento.
Por enquanto, o único estudo publicado, sob patrocínio da Medivation, sugere que o Dimebon poderia estabilizar os sintomas da doença - assim como já fazem as outras quatro drogas disponíveis no mercado para tratar o Alzheimer. Na pesquisa, os voluntários que tomaram 20 miligramas da droga, três vezes ao dia, tiveram uma melhora na memória, no raciocínio, no comportamento e na habilidade de desempenhar atividades diárias. Os pacientes medicados com comprimidos sem efeito clínico (placebo) pioraram.
Para medir quanto o desempenho dos pacientes havia melhorado, os pesquisadores usaram uma escala que leva em consideração a capacidade de uma pessoa se lembrar imediatamente de palavras, atender a comandos e compreender novas informações. O Dimebon parece ter sido mais benéfico num grupo específico, dos pacientes que estavam no estágio inicial da doença. Depois de 18 meses de tratamento, esses voluntários apresentaram uma diferença de quase dez pontos em relação ao grupo que tomou placebo. Mas, quando considerada a melhora de todos os voluntários da pesquisa, os pacientes que tomaram Dimebon por seis meses tiveram, na média, uma nota quatro pontos mais alta que os voluntários que consumiram o placebo. É uma melhora considerável. Mas não tão distante da obtida com drogas que já existem no mercado. Elas conseguem uma melhora entre dois e três pontos.
O que explica, então, tamanho entusiasmo em torno do Dimebon? A vantagem do remédio parece ser sua capacidade de manter os sintomas estáveis por mais tempo. Enquanto as drogas já aprovadas impedem o agravamento dos sintomas durante um ano, em média, o Dimebon conseguiria impedir o avanço por 18 meses - período em que os pesquisadores estudaram sua ação. Esse resultado seria reflexo de uma diferença importante do Dimebon em relação às drogas atuais para tratar o Alzheimer. Os medicamentos já disponíveis agem em sistemas do cérebro que conseguem melhorar a memória, o pensamento e o comportamento dos pacientes. Atuam apenas sobre os sintomas. Já o Dimebon, além desses efeitos, conseguiria agir nas causas da doença. E, por isso, impediria sua progressão.
Esse efeito seria possível porque o Dimebon parece ser capaz de proteger os neurônios saudáveis da destruição impingida pela doença. Ele impediria que os neurônios fossem mortos pela proteína betaamilóide, que se acredita estar relacionada à ocorrência do Alzheimer. "O Dimebon bloqueia os poros anormais de um componente das células que funciona como uma fábrica de energia para elas", afirma Rachelle Doody, autora principal do estudo publicado no Lancet e conselheira científica da Medivation. A proteína não conseguiria entrar nessas fábricas de energia e não mataria os neurônios.
Como o Alzheimer afeta o cérebro
A doença destrói os neurônios e afeta os circuitos cerebrais da aprendizagem e da memória
AS CAUSAS DA DOENÇA
Os pesquisadores acreditam que a proteína betaamilóide esteja relacionada à doença. Ela envolve os neurônios, criando placas que destroem partes do cérebro. Uma mudança química em outra proteína, a tau, também estaria ligada ao Alzheimer. Ela faz com que os microtúbulos por onde circulam os nutrientes dentro do neurônio se enovelem. Com isso, a célula morre
Apesar de os primeiros resultados serem promissores, ainda é cedo para considerar o remédio russo como um freio para o Alzheimer. "Eles sugerem claramente que o Dimebon está agindo sobre os sintomas da doença, o que não significa que ele também esteja protegendo os neurônios", diz o neurologista Eduardo Mutarelli, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. "Esse efeito precisa ser comprovado."
O estudo publicado há três meses foi considerado bem-feito pelos especialistas, mas só ele não reúne evidências suficientes para atestar os benefícios do Dimebon. A pesquisa foi feita com um grupo pequeno - 183 pessoas - e com características peculiares. A idade média, 68 anos, é inferior à tipicamente usada por pesquisadores em estudos sobre a doença. E o fato de todos os voluntários serem russos também poderia provocar uma distorção nos resultados. Os remédios empregados no tratamento do Alzheimer ainda não são muito consumidos no país porque são caros. Por isso, é possível que qualquer medicação surtisse um efeito notável no grupo. "Outras pesquisas são necessárias para comprovar que os resultados obtidos podem ser replicados em qualquer paciente", diz o neurologista Paulo Caramelli, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.
O estudo para confirmar os benefícios do Dimebon em um número maior de pacientes já está em andamento. Conta com 525 pessoas, de várias nacionalidades. Há voluntários da Europa, da América do Sul e dos Estados Unidos. Se a eficácia for comprovada, a Pfizer e a Medivation esperam pedir em 2010 a aprovação para vender o Dimebon no mercado americano. O remédio estaria nas farmácias dos Estados Unidos a partir de 2011, não se sabe se com o mesmo nome ou com um novo.
Nesse cenário, o Dimebon chegaria ao mercado sem a comprovação do benefício que causou maior entusiasmo: seu efeito protetor sobre os neurônios e seu conseqüente potencial para retardar o avanço da doença. "Para isso, precisaríamos fazer um estudo com duração de 18 meses, e não de seis meses, como o que está em andamento", afirma a endocrinologista Lynn Seely, diretora-médica da Medivation. "Consideramos que para os pacientes o mais importante é ter o medicamento no mercado logo", diz Lynn. "Para eles, não importa como o remédio funciona."
Faltam pesquisas que comprovem os benefícios do Dimebon
num grande número de pacientes
O fato de o Dimebon ter sido desenvolvido a princípio com outra finalidade - controlar reações alérgicas - ajudou a ganhar tempo. Não foi necessário fazer novamente testes em animais para verificar os perigos que a medicação poderia oferecer. O remédio já havia passado por essas etapas quando foi aprovado.
Por essa economia de tempo e dinheiro, pesquisadores como o alemão Peer Bork, do Laboratório Europeu de Biologia Molecular, afirmam que as bulas de drogas já aprovadas são um novo campo a ser explorado pela indústria farmacêutica. Não foram poucos os remédios descobertos dessa maneira. Uma das drogas já usadas no tratamento do Alzheimer, a memantina, também foi desenvolvida para outro uso: controlar o mal de Parkinson, que causa tremores e rigidez muscular.
O próprio Bork descobriu 13 novos usos para drogas antigas ao reavaliar 20 medicamentos. Constatou, inclusive, que um remédio usado em casos de Alzheimer, o donepezil, poderia tratar pacientes depressivos. "O problema é que geralmente as empresas têm boas patentes sobre as drogas e acabam desencorajando pesquisas para descobrir novas indicações", diz.
Apesar das dúvidas que ainda cercam o Dimebon, drogas com um princípio de ação similar ao seu parecem ser o futuro do tratamento do Alzheimer. Pelo menos, foi nesse tipo de medicação - que atua nos mecanismos iniciais da doença - que as grandes empresas farmacêuticas centraram seus esforços. A irlandesa Elan e a americana Wyeth iniciaram a última etapa de testes do anticorpo bapineuzumab, que conseguiria se ligar às placas da proteína betaamilóide e "limpar" o cérebro. Os resultados das pesquisas já concluídas, porém, deixaram dúvidas. Em um grupo de pacientes, o anticorpo não causou nenhuma melhora nos sintomas. A Eli Lilly está na segunda etapa dos estudos clínicos de seu anticorpo. E também já teria começado a última fase de pesquisa de uma medicação que impede a formação da proteína betaamilóide. Um laboratório menor, o TauRx Therapeutics, de Cingapura, investe na droga Rember. Ela conseguiria dissolver a proteína tau, que também estaria ligada ao Alzheimer, porque destrói os microtúbulos por onde circulam nutrientes para os neurônios.
Assim como o Dimebon, o Rember é conhecido por outros usos. Popularmente chamado de azul de metileno, é usado como corante. Agora, está na segunda etapa de pesquisas para provar sua ação contra o Alzheimer. Não deixa de ser irônico que em um tempo de modernas técnicas de bioengenharia e diante do potencial das células-tronco, capazes de reconstruir qualquer tecido do organismo, drogas de décadas atrás despontem como o que há de melhor na guerra contra o Alzheimer. As famílias, tão carentes de recursos eficazes, esperam que os estudos sejam acelerados. É uma luta contra o tempo.
A nova promessa
O Dimebon está nas últimas fases de teste com pacientes. Sua chegada às farmácias dos Estados Unidos está prevista para 2011
O QUE É
O Dimebon era usado na Rússia para tratar alergias até os anos 90. Estudos feitos em ratos sugeriram que ele melhoraria o aprendizado e a memória. Por isso, passou a ser estudado para o tratamento de Alzheimer
O QUE FAZ
Seria o primeiro medicamento capaz de proteger os neurônios e retardar a progressão da doença. Em um teste, o desempenho dos pacientes foi igual ou superior ao observado antes do tratamento
COMO FUNCIONA
O mecanismo de ação ainda não foi desvendado. Combinaria a ação das drogas que já existem para tratar a doença e que melhoram os sintomas. Além disso, protegeria a fábrica de energia das células, evitando a morte dos neurônios
Uma velha droga, uma nova função
Outros exemplos de remédios antigos que ganharam novos usos
VIAGRA
A Pfizer testava a droga para tratar pressão alta e angina (dor no peito causada pelo estreitamento dos vasos que irrigam o coração). Os pesquisadores notaram que os voluntários tinham ereções. Virou um sucesso no tratamento da impotência
ASPIRINA
Os efeitos analgésicos do ácido acetilsalicílico são conhecidos desde antes de Cristo - naquela época, o princípio ativo era obtido em folhas de salgueiro. Sua ação só foi explicada nos anos 70. Passou a ser indicado para evitar a recorrência de infartos
AZT
Era estudado desde a década de 1960 para combater células cancerígenas. Mas se tornou, em 1987, o primeiro medicamento contra a AIDS. Seu efeito ajudaria a inibir a multiplicação do vírus HIV no organismo
MEMANTINA
É a única droga recomendada para as fases mais graves do Alzheimer. Ajudaria a manter as funções cognitivas por mais tempo porque diminui os níveis de uma substância que intoxica os neurônios. Já era usado desde os anos 80 para tratar o mal de Parkinson
AMANTADINA
É usada para prevenir infecções respiratórias causadas pelo vírus influenza A, que contamina animais e raramente o homem. Em 1969, foi descoberto seu potencial para tratar os sintomas do Parkinson, diminuindo a rigidez muscular e os tremores
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Doença de Alzheimer
22 de Agosto de 2008
Novidade no tratamento da Doença de Alzheimer
Substância em estudo poderá representar um avanço na tentativa de retardar a progressão dessa doença fatal
A indústria farmacêutica Eli Lilly acaba de anunciar dados de um estudo de fase II com a molécula LY2062430, um anticorpo monoclonal anti beta-amilóide, que está sendo desenvolvido para o tratamento da doença de Alzheimer de gravidade leve a moderada. Os resultados da pesquisa foram apresentados durante a Conferência Internacional da Associação de Alzheimer 2008 (ICAD - Alzheimer's Association's 2008 International Conference on Alzheimer's Disease), em Chicago, nos Estados Unidos.
Pesquisadores desse estudo, controlado e randomizado, avaliaram a segurança e a tolerabilidade do LY2062430, administrado por via intravenosa, em pacientes com doença de Alzheimer e em voluntários saudáveis durante doze semanas. Como as concentrações de beta-amilóide detectadas no sangue e no líquido cefalorraquidiano estavam mais elevadas, esses e outros dados observados sugerem que, ao ligar-se às proteínas beta-amilóides solúveis, o LY2062430 pode começar a dissolver as placas amilóides presentes no cérebro do portador da doença.
O LY2062430 foi bem tolerado pelo organismo, não havendo evidências de inflamação cerebral, sangramento ou quaisquer outros efeitos colaterais decorrentes do tratamento. Não houve alterações dos scores cognitivos dos pacientes e nem alterações dos níveis de placa beta-amilóide, conforme
observado com o marcador nas tomografias por emissão de fótons. Foi constatado um aumento de dois outros tipos de proteína beta-amilóide, que se imaginava presente somente em placas amilóides, também no sangue e líquido cefalorraquidiano dos participantes. Acredita-se que o líquido cefalorraquidiano, que banha o cérebro e a medula espinal, possa ser utilizado como biomarcador, fornecendo importantes dados adicionais, além daqueles obtidos através do sangue. As placas amilóides, principal determinante patológico da doença de Alzheimer, são compostas principalmente por agregados de proteínas beta-amilóides. Essas placas ou outros tipos de proteínas beta-amilóides são responsáveis pela desorganização das funções normais das células nervosas cerebrais, levando à demência que caracteriza esse mal degenerativo.
Esses achados correspondentes ao biomarcador sugerem que um tratamento com LY2062430 por um prazo mais longo poderia retardar a progressão da doença. Portanto, justificando estudos adicionais com o LY2064230.
Os pesquisadores ministraram placebo ou doses variadas do LY2062430 a 52 pacientes com doença de Alzheimer leve a moderada: 100 mg ou 400 mg uma vez por semana, ou 100 mg ou 400 mg a cada quatro semanas. A gravidade dos sintomas da doença também foi avaliada. Além disso, cada um dos 16 voluntários recebeu uma dose única de 100 mg do LY2062430 ou de placebo. Todos os participantes do estudo foram submetidos a exame de ressonância magnética e avaliação do líquido cefalorraquidiano. Foi realizado um sub-estudo envolvendo 24 pacientes e 13 voluntários, que foram submetidos a tomografia por emissão de fótons, utilizando um marcador experimental para avaliar os níveis de placa beta-amilóide no cérebro.
Segundo Eric Siemers, diretor médico do Setor de Pesquisas do Alzheimer da Lilly, "essa doença é complexa e há uma real carência por tratamentos que possam retardar sua progressão. Em função disso e pelos resultados obtidos no estudo de fase II, em 2009, daremos início ao estudo central de fase III com LY2062430".
A Lilly também está cadastrando pacientes para participar do estudo de Fase III denominado IDENTITY, que investiga o tratamento com LY450139, um inibidor da gama-secretase em fase de investigação que, acredita-se, retarde a formação de beta-amilóide, sendo outro agente em potencial para retardar a progressão da doença.
Sobre a doença Alzheimer
A doença de Alzheimer apresenta estágios progressivos, nos quais os pacientes vão dependendo cada vez mais de auxílio para o dia-a-dia, até que se tornam totalmente dependentes mesmo para as funções básicas, como higiene pessoal e alimentação. A duração média entre início dos sintomas e morte, devido a complicações da doença, varia de 8 a 10 anos. Apesar de acometer cerca de 18 milhões de pessoas no mundo, com um contingente de vítimas estimado, no Brasil, entre 500 mil e 1 milhão, apenas um quarto dos que sofrem com essa doença têm seu diagnóstico estabelecido.
Dado o envelhecimento da população e sem a disponibilidade de medicamentos que retardam ou impeçam o aparecimento da doença, o número de pessoas afetadas cresce. Estima-se que, até o ano 2050, o número de portadores da doença triplique nos países desenvolvidos. O impacto econômico do problema nos Estados Unidos é estimado em US$ 150 bilhões, onde a doença de Alzheimer já é a sétima causa de mortes. Em 2005, o custo total da doença no mundo foi estimado em US $ 315,4 bilhões.
Rumo Comunicação Empresarial
Regina Rocha/ Mari Cavalheiro
Novidade no tratamento da Doença de Alzheimer
Substância em estudo poderá representar um avanço na tentativa de retardar a progressão dessa doença fatal
A indústria farmacêutica Eli Lilly acaba de anunciar dados de um estudo de fase II com a molécula LY2062430, um anticorpo monoclonal anti beta-amilóide, que está sendo desenvolvido para o tratamento da doença de Alzheimer de gravidade leve a moderada. Os resultados da pesquisa foram apresentados durante a Conferência Internacional da Associação de Alzheimer 2008 (ICAD - Alzheimer's Association's 2008 International Conference on Alzheimer's Disease), em Chicago, nos Estados Unidos.
Pesquisadores desse estudo, controlado e randomizado, avaliaram a segurança e a tolerabilidade do LY2062430, administrado por via intravenosa, em pacientes com doença de Alzheimer e em voluntários saudáveis durante doze semanas. Como as concentrações de beta-amilóide detectadas no sangue e no líquido cefalorraquidiano estavam mais elevadas, esses e outros dados observados sugerem que, ao ligar-se às proteínas beta-amilóides solúveis, o LY2062430 pode começar a dissolver as placas amilóides presentes no cérebro do portador da doença.
O LY2062430 foi bem tolerado pelo organismo, não havendo evidências de inflamação cerebral, sangramento ou quaisquer outros efeitos colaterais decorrentes do tratamento. Não houve alterações dos scores cognitivos dos pacientes e nem alterações dos níveis de placa beta-amilóide, conforme
observado com o marcador nas tomografias por emissão de fótons. Foi constatado um aumento de dois outros tipos de proteína beta-amilóide, que se imaginava presente somente em placas amilóides, também no sangue e líquido cefalorraquidiano dos participantes. Acredita-se que o líquido cefalorraquidiano, que banha o cérebro e a medula espinal, possa ser utilizado como biomarcador, fornecendo importantes dados adicionais, além daqueles obtidos através do sangue. As placas amilóides, principal determinante patológico da doença de Alzheimer, são compostas principalmente por agregados de proteínas beta-amilóides. Essas placas ou outros tipos de proteínas beta-amilóides são responsáveis pela desorganização das funções normais das células nervosas cerebrais, levando à demência que caracteriza esse mal degenerativo.
Esses achados correspondentes ao biomarcador sugerem que um tratamento com LY2062430 por um prazo mais longo poderia retardar a progressão da doença. Portanto, justificando estudos adicionais com o LY2064230.
Os pesquisadores ministraram placebo ou doses variadas do LY2062430 a 52 pacientes com doença de Alzheimer leve a moderada: 100 mg ou 400 mg uma vez por semana, ou 100 mg ou 400 mg a cada quatro semanas. A gravidade dos sintomas da doença também foi avaliada. Além disso, cada um dos 16 voluntários recebeu uma dose única de 100 mg do LY2062430 ou de placebo. Todos os participantes do estudo foram submetidos a exame de ressonância magnética e avaliação do líquido cefalorraquidiano. Foi realizado um sub-estudo envolvendo 24 pacientes e 13 voluntários, que foram submetidos a tomografia por emissão de fótons, utilizando um marcador experimental para avaliar os níveis de placa beta-amilóide no cérebro.
Segundo Eric Siemers, diretor médico do Setor de Pesquisas do Alzheimer da Lilly, "essa doença é complexa e há uma real carência por tratamentos que possam retardar sua progressão. Em função disso e pelos resultados obtidos no estudo de fase II, em 2009, daremos início ao estudo central de fase III com LY2062430".
A Lilly também está cadastrando pacientes para participar do estudo de Fase III denominado IDENTITY, que investiga o tratamento com LY450139, um inibidor da gama-secretase em fase de investigação que, acredita-se, retarde a formação de beta-amilóide, sendo outro agente em potencial para retardar a progressão da doença.
Sobre a doença Alzheimer
A doença de Alzheimer apresenta estágios progressivos, nos quais os pacientes vão dependendo cada vez mais de auxílio para o dia-a-dia, até que se tornam totalmente dependentes mesmo para as funções básicas, como higiene pessoal e alimentação. A duração média entre início dos sintomas e morte, devido a complicações da doença, varia de 8 a 10 anos. Apesar de acometer cerca de 18 milhões de pessoas no mundo, com um contingente de vítimas estimado, no Brasil, entre 500 mil e 1 milhão, apenas um quarto dos que sofrem com essa doença têm seu diagnóstico estabelecido.
Dado o envelhecimento da população e sem a disponibilidade de medicamentos que retardam ou impeçam o aparecimento da doença, o número de pessoas afetadas cresce. Estima-se que, até o ano 2050, o número de portadores da doença triplique nos países desenvolvidos. O impacto econômico do problema nos Estados Unidos é estimado em US$ 150 bilhões, onde a doença de Alzheimer já é a sétima causa de mortes. Em 2005, o custo total da doença no mundo foi estimado em US $ 315,4 bilhões.
Rumo Comunicação Empresarial
Regina Rocha/ Mari Cavalheiro
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
ALZHEIMER - DROGAS EM TESTE
Novas drogas estão saindo dos laboratórios de ciência básica e sendo investigadas em vários ensaios com seres humanos.
Uma das linhas de pesquisa mais promissora e interessante baseia-se na “Hipótese Amilóide”.
A hipótese é que a doença de Alzheimer inicia-se com a acumulação das placas amilóides (neuríticas) e assim sendo, se for possível impedir a formação dessas lesões, a instalação e a evolução da doença seria passível de ser retardada e até evitada.
Cientistas isolaram enzimas chamadas de “secretases” que seriam fundamentais na gênese da proteína beta-amilóde. Secretases são formas de proteases, o mesmo tipo de enzima que são inibidas para o tratamento da AIDS, os inibidores de protease. Drogas chamadas de, inibidores de secretase, estão sendo desenvolvidas com o objetivo de bloquear a formação beta-amilóide, e algumas delas já se encontram em fase de pesquisa clínica.
Uma outra forma de combater a formação das placas seria estimular o sistema imunológico para destruir a formação beta-amilóide. Cientistas desenvolveram uma vacina que colocam amilóide na corrente sanguínea esperando que haja formação de anticorpos para destruírem as placas neuríticas em formação.
A vacina funcionou bem em ratos, especialmente nos que receberam genes humanos para que houvesse formação das placas. Mas quando a vacina foi testada em humanos, algumas pessoas apresentaram encefalite. A vacinação foi interrompida mas os já vacinados estão sendo acompanhados. Embora esse fato tenha sido frustrante, acredita-se que essa é uma grande avenida a ser percorrida para lentificar o curso ou até mesmo prevenir a doença de Alzheimer.
“Nós ainda estamos procurando a seqüência de eventos onde nós poderíamos interferir e curar a doença sem causar danos”, diz Marcelle Morrison-Bogorad,PhD., diretor do NIA´s “Neuroscience and Neuropsychology og Aging Program”.
O Dr Morrison-Bogorad conclui “os cientistas poderão um dia serem capazes de injetar uma substância na corrente sanguínea para extrair o amilóide através do líquido cefalorraquidiano. Isso pode acontecer com ratos – mas nós não sabemos se será possível em humanos”.
Proteína-Beta-Amilóide
DROGAS EM TESTE
AMPALEX
FDA: FASE II
O glutamato é um aminoácido liberado pelos neurônios com propriedades excitatórias. Fixa-se em lugares específicos nos neurônios, receptores AMPA (alpha-amino2,3-dihidro-5methyl3-oxo-4-ácido isoxazolepropanóico). A estimulação dos receptores excitatórios neuronais é um grande passo na formação da memória. A droga modularia os receptores AMPA. Estudos preliminares demonstraram melhora cognitiva em idosos sem demência.
ALZHEMED
FDA: FASE III
Objetivo: Evitar a formação e o depósito de amilóide.
ATORVASTATIN (LÍPITOR)
FDA:FASE II/IIa/IIb
Objetivo: Evitar a formação e o depósito de amilóide.
BETA & GAMA - Secretase-Inibidores
FDA: FASE pré- Clínica
Objetivo: São duas proteases que fracionam o Precursor da Proteína Amilóide. Diminuir a ação dessas enzimas diminuiria a produção amilóide e retardaria a evolução da doença.
CLIOQUINOL (iodochlorhydroxyquin)
FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: inibe os íons Zinco e Cobre teoricamente diminuindo a produção de beta A4.
DAPSONE (AVLOSULFON)
FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: ação antiinflamatória. Diminuiria a progressão da doença.
ESTRÓGENO (PREMARIN)
FDA: FASE III
Objetivo: retardar o início da doença.
HUPERZINE- A – Não regulada pelo FDA – Erva Chinesa
Objetivo: Inibidor natural da acetilcolinesterase, mais potente que o tacrine e o donepesil. Além de melhorar a cognição teria efeito neuroprotetor.
IBUPROFEN (MOTRIN,ADVIL,NUPRIN)
FDA: FASE III
Objetivo: Prevenir ou retardar o início da doença diminuindo o processo inflamatório cerebral relacionado com a formação das placas neuríticas.
LEUPROLIDE
FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: Melhoraria a cognição e diminuiria a progressão da doença. Modula a testosterona e o estrógeno que estariam relacionados com a formação da proteína TAU e da beta-amilóide A4. Aprovado para o tratamento de câncer de próstata.
MELATONINA- Não regulada pelo FDA – Proibida no Brasil
MILAMELINE –(CI 979)
FDA:FASE II/IIa/IIb
Objetivo: Agonista muscarínico. Melhoraria a cognição. Parece ser bem tolerado.
MKC-231
FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: Aumenta a concentração de colina e da acetilcolina liberada
NAPROXEN (NAPROSYN, ALEVE, ANAPROX)
FDA: FASE III
Objetivo: ação antiinflamatória
NEFIRACETAN
FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: ativador colinérgico. Aumentaria a cognição.
NEOTROFIN ( AIT – 082 )
FDA: FASE : II/IIa/IIb
Objetivo: agente nootrópico. Melhoria global da cognição.
NS2330
FDA: FASE: II/IIa/IIb
Objetivo: aumentar a ação da acetilcolina, da noradrenalina e da dopamina.
PHENSERINE
FDA: FASE: II/IIa/IIb
Objetivo: Inibidor da acetilcolinesterase , inibindo a formação do Precursor da Proteína Amilóide.
ROFECOXIB (VIOXX) - ESTUDO DESCONTINUADO OUT/2004
FDA: FASE:III
Objetivo: ação antiinflamatória inibindo a formação das placas neuríticas.
ESTATINAS
FDA: FASE: II/IIa/IIb
Objetivo: Alterar o metabolismo do Precursor da Proteína Beta amilóide reduzindo a formação da A4 . Também testa a ação antiinflamatória, reduz a oxidação das lipoproteínas atenuando o dano celular causado pelo “stress oxidativo”.
VALPROATO (DEPAKENE , ÁCIDO VALPRÓICO)
FDA: FASE:III
Objetivo: droga anticonvulsivante. Testa sua eficácia no controle da agitação em pacientes com doença de Alzheimer
Uma das linhas de pesquisa mais promissora e interessante baseia-se na “Hipótese Amilóide”.
A hipótese é que a doença de Alzheimer inicia-se com a acumulação das placas amilóides (neuríticas) e assim sendo, se for possível impedir a formação dessas lesões, a instalação e a evolução da doença seria passível de ser retardada e até evitada.
Cientistas isolaram enzimas chamadas de “secretases” que seriam fundamentais na gênese da proteína beta-amilóde. Secretases são formas de proteases, o mesmo tipo de enzima que são inibidas para o tratamento da AIDS, os inibidores de protease. Drogas chamadas de, inibidores de secretase, estão sendo desenvolvidas com o objetivo de bloquear a formação beta-amilóide, e algumas delas já se encontram em fase de pesquisa clínica.
Uma outra forma de combater a formação das placas seria estimular o sistema imunológico para destruir a formação beta-amilóide. Cientistas desenvolveram uma vacina que colocam amilóide na corrente sanguínea esperando que haja formação de anticorpos para destruírem as placas neuríticas em formação.
A vacina funcionou bem em ratos, especialmente nos que receberam genes humanos para que houvesse formação das placas. Mas quando a vacina foi testada em humanos, algumas pessoas apresentaram encefalite. A vacinação foi interrompida mas os já vacinados estão sendo acompanhados. Embora esse fato tenha sido frustrante, acredita-se que essa é uma grande avenida a ser percorrida para lentificar o curso ou até mesmo prevenir a doença de Alzheimer.
“Nós ainda estamos procurando a seqüência de eventos onde nós poderíamos interferir e curar a doença sem causar danos”, diz Marcelle Morrison-Bogorad,PhD., diretor do NIA´s “Neuroscience and Neuropsychology og Aging Program”.
O Dr Morrison-Bogorad conclui “os cientistas poderão um dia serem capazes de injetar uma substância na corrente sanguínea para extrair o amilóide através do líquido cefalorraquidiano. Isso pode acontecer com ratos – mas nós não sabemos se será possível em humanos”.
Proteína-Beta-Amilóide
DROGAS EM TESTE
AMPALEX
FDA: FASE II
O glutamato é um aminoácido liberado pelos neurônios com propriedades excitatórias. Fixa-se em lugares específicos nos neurônios, receptores AMPA (alpha-amino2,3-dihidro-5methyl3-oxo-4-ácido isoxazolepropanóico). A estimulação dos receptores excitatórios neuronais é um grande passo na formação da memória. A droga modularia os receptores AMPA. Estudos preliminares demonstraram melhora cognitiva em idosos sem demência.
ALZHEMED
FDA: FASE III
Objetivo: Evitar a formação e o depósito de amilóide.
ATORVASTATIN (LÍPITOR)
FDA:FASE II/IIa/IIb
Objetivo: Evitar a formação e o depósito de amilóide.
BETA & GAMA - Secretase-Inibidores
FDA: FASE pré- Clínica
Objetivo: São duas proteases que fracionam o Precursor da Proteína Amilóide. Diminuir a ação dessas enzimas diminuiria a produção amilóide e retardaria a evolução da doença.
CLIOQUINOL (iodochlorhydroxyquin)
FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: inibe os íons Zinco e Cobre teoricamente diminuindo a produção de beta A4.
DAPSONE (AVLOSULFON)
FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: ação antiinflamatória. Diminuiria a progressão da doença.
ESTRÓGENO (PREMARIN)
FDA: FASE III
Objetivo: retardar o início da doença.
HUPERZINE- A – Não regulada pelo FDA – Erva Chinesa
Objetivo: Inibidor natural da acetilcolinesterase, mais potente que o tacrine e o donepesil. Além de melhorar a cognição teria efeito neuroprotetor.
IBUPROFEN (MOTRIN,ADVIL,NUPRIN)
FDA: FASE III
Objetivo: Prevenir ou retardar o início da doença diminuindo o processo inflamatório cerebral relacionado com a formação das placas neuríticas.
LEUPROLIDE
FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: Melhoraria a cognição e diminuiria a progressão da doença. Modula a testosterona e o estrógeno que estariam relacionados com a formação da proteína TAU e da beta-amilóide A4. Aprovado para o tratamento de câncer de próstata.
MELATONINA- Não regulada pelo FDA – Proibida no Brasil
MILAMELINE –(CI 979)
FDA:FASE II/IIa/IIb
Objetivo: Agonista muscarínico. Melhoraria a cognição. Parece ser bem tolerado.
MKC-231
FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: Aumenta a concentração de colina e da acetilcolina liberada
NAPROXEN (NAPROSYN, ALEVE, ANAPROX)
FDA: FASE III
Objetivo: ação antiinflamatória
NEFIRACETAN
FDA: FASE II/IIa/IIb
Objetivo: ativador colinérgico. Aumentaria a cognição.
NEOTROFIN ( AIT – 082 )
FDA: FASE : II/IIa/IIb
Objetivo: agente nootrópico. Melhoria global da cognição.
NS2330
FDA: FASE: II/IIa/IIb
Objetivo: aumentar a ação da acetilcolina, da noradrenalina e da dopamina.
PHENSERINE
FDA: FASE: II/IIa/IIb
Objetivo: Inibidor da acetilcolinesterase , inibindo a formação do Precursor da Proteína Amilóide.
ROFECOXIB (VIOXX) - ESTUDO DESCONTINUADO OUT/2004
FDA: FASE:III
Objetivo: ação antiinflamatória inibindo a formação das placas neuríticas.
ESTATINAS
FDA: FASE: II/IIa/IIb
Objetivo: Alterar o metabolismo do Precursor da Proteína Beta amilóide reduzindo a formação da A4 . Também testa a ação antiinflamatória, reduz a oxidação das lipoproteínas atenuando o dano celular causado pelo “stress oxidativo”.
VALPROATO (DEPAKENE , ÁCIDO VALPRÓICO)
FDA: FASE:III
Objetivo: droga anticonvulsivante. Testa sua eficácia no controle da agitação em pacientes com doença de Alzheimer
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Cientistas transformam células-tronco em neurônios
Cientistas europeus descobriram como transformar, in vitro, células-tronco embrionárias em grande quantidade de neurônios do córtex cerebral, abrindo caminho, assim, a novas perspectivas para a pesquisa médica sobre enfermidades neurológicas.
» Entenda o que são as células-tronco
» Técnica pode renovar músculos
» Técnica cura câncer avançado
» Técnica controla desenvolvimento de células-tronco
O córtex cerebral é uma complexa estrutura formada por células nervosas ou neurônios, que podem ser alvo de doenças como epilepsias, Mal de Alzheimer ou de acidentes vasculares cerebrais.
Os estudos, realizados pela equipe de Pierre Vanderhaeghen da Universidade Livre de Bruxelas (ULB) junto com Afsaneh Gaillard, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França (CNRS) na Universidade de Poitiers, foi divulgado ontem na páguina web da revista científica Nature.
Os neurônios, gerados integralmente fora do cérebro, foram transplantados por Nicolas Gaspard (ULB) Gaillard a cérebros de ratos. Ao final de um mês, o exame dos roedores permitiu constatar que os neurônios se conectaram no cérebro formando circuitos adequados.
Segundo Vanderhaeghen, esta produção (corticogenesis) in vitro constitui uma "ferramenta inovadora para a investigação" e poderia servir para testar novos medicamentos.
AFP
» Entenda o que são as células-tronco
» Técnica pode renovar músculos
» Técnica cura câncer avançado
» Técnica controla desenvolvimento de células-tronco
O córtex cerebral é uma complexa estrutura formada por células nervosas ou neurônios, que podem ser alvo de doenças como epilepsias, Mal de Alzheimer ou de acidentes vasculares cerebrais.
Os estudos, realizados pela equipe de Pierre Vanderhaeghen da Universidade Livre de Bruxelas (ULB) junto com Afsaneh Gaillard, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França (CNRS) na Universidade de Poitiers, foi divulgado ontem na páguina web da revista científica Nature.
Os neurônios, gerados integralmente fora do cérebro, foram transplantados por Nicolas Gaspard (ULB) Gaillard a cérebros de ratos. Ao final de um mês, o exame dos roedores permitiu constatar que os neurônios se conectaram no cérebro formando circuitos adequados.
Segundo Vanderhaeghen, esta produção (corticogenesis) in vitro constitui uma "ferramenta inovadora para a investigação" e poderia servir para testar novos medicamentos.
AFP
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Descoberta pode ajudar a tratar Alzheimer
Uma pesquisa da Universidade israelense de Haifa identificou uma proteína essencial para o processo da consolidação da memória, o que pode ser fundamental para o tratamento de doenças como Alzheimer e Parkinson.
Trata-se do último de uma série de estudos destinados a um melhor entendimento do processo de criação e consolidação da memória no cérebro humano, publicado recentemente pela revista "Nature Neuroscience", segundo comunicado.
O estudo está centrado em uma proteína presente durante o processo de formação da memória e demonstra que, de fato, é um fator essencial neste processo, segundo a equipe de cientistas liderada pelo professor Kobi Rosenblum, chefe do departamento de neurobiologia e etologia da Universidade de Haifa.
Os pesquisadores fizeram experiências com ratos empregando o padrão de aprendizagem do gosto e constataram que durante o processo se produz a proteína PSD-95.
A nota diz, no entanto, que quando o rato foi exposto a gostos desconhecidos, a PSD-95 não foi produzido no centro do córtex do cérebro.
Para demonstrar que a citada proteína é essencial para o processo de criação da memória, os pesquisadores empregaram dois grupos diferentes de roedores que tinha se submetido às mesmas provas para a aprendizagem do gosto.
Empregando engenharia genética detiveram a segregação da PSD-95 nas células nervosas do chamado "centro do gosto" no cérebro de um dos grupos, e comprovaram que esses roedores não tinham memória de novos gostos um dia após sua exposição a eles, ao contrário do outro grupo.
Os cientistas demonstraram, portanto, que a nova memória se criava quando se produzia PSD-95 e que a informação desaparecia do cérebro na ausência dessa proteína.
Fonte: TERRA
Trata-se do último de uma série de estudos destinados a um melhor entendimento do processo de criação e consolidação da memória no cérebro humano, publicado recentemente pela revista "Nature Neuroscience", segundo comunicado.
O estudo está centrado em uma proteína presente durante o processo de formação da memória e demonstra que, de fato, é um fator essencial neste processo, segundo a equipe de cientistas liderada pelo professor Kobi Rosenblum, chefe do departamento de neurobiologia e etologia da Universidade de Haifa.
Os pesquisadores fizeram experiências com ratos empregando o padrão de aprendizagem do gosto e constataram que durante o processo se produz a proteína PSD-95.
A nota diz, no entanto, que quando o rato foi exposto a gostos desconhecidos, a PSD-95 não foi produzido no centro do córtex do cérebro.
Para demonstrar que a citada proteína é essencial para o processo de criação da memória, os pesquisadores empregaram dois grupos diferentes de roedores que tinha se submetido às mesmas provas para a aprendizagem do gosto.
Empregando engenharia genética detiveram a segregação da PSD-95 nas células nervosas do chamado "centro do gosto" no cérebro de um dos grupos, e comprovaram que esses roedores não tinham memória de novos gostos um dia após sua exposição a eles, ao contrário do outro grupo.
Os cientistas demonstraram, portanto, que a nova memória se criava quando se produzia PSD-95 e que a informação desaparecia do cérebro na ausência dessa proteína.
Fonte: TERRA
Assinar:
Postagens (Atom)